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18 de Novembro de 2017
Tá Ficando Velho
Há quanto tempo saudoso
Nos anos de 1985 foi criado a primeira Escola de Samba da cidade (Luz) que levava o nome “Unidos do Alto” numa referência ao Bairro do Rosário. O carnaval de rua começava a ganhar força em Luz e aos poucos o carnaval de salão deu lugar aos eventos de ruas
A crõnica de hoje começa relembrando “Triste Pierrô” um dos grandes sucessos de carnaval dos anos de 1940, na voz de Francisco Alves, que assim cantava: Há quanto tempo saudoso /Procuro em vão Colombina!/ Desiste Pierrô, não cantes assim! / O tempo mudou, não há mais Arlequim!
Era uma época  de ouro das marchinhas e os maiores cantores eram,  Carmem Miranda, Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Black Out, Braguinha, Lamartine Babo, Ary Barroso. Confetes, lança perfume e serpentinas faziam a alegoria dos salões dos clubes. As marchinhas mostravam, em tom de brincadeira, o que acontecia  na politica e com o povo brasileiro. Yes! Nós temos banana na voz de Carmem Miranda, Touradas de Madri, cantada por mais de 200 mil torcedores na Copa de 1950, quando o Brasil derrotou a Espanha. Pierrô apaixonado, Linda Morena e outras encantavam os foliões. Nos anos de 1960, a popularização dos desfiles de carnaval marcou o início da ascensão do samba-enredo e o declínio da marchinha e dos blocos. José Roberto Kelly foi um dos últimos compositores que brilharam no gênero, com Cabeleira do Zezé (olha a cabeleira do Zezé) e Mulata Iê-Iê-Iê e Mascara Negra de Zé Ketti foi o maior sucesso de 1965. Muitos cantaram ou conhecem, “Tanto riso oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão”.
 
O Carnaval em Luz – Da Casa Grande ao Clube Social
Em Luz não foi diferente. As marchinhas dominaram primeiro na Casa Grande, nos anos de 1940 e os sucessos eram Aurora “Se você fosse sincera ,Ô ô ô ô Aurora,Veja só que bom que era, Ô ô ô ô Aurora”, Mamãe Eu Quero “Mamãe eu quero, mamãe eu quero,Mamãe eu quero mamar ,Dá a chupeta, dá a chupeta ,Dá a chupeta pro bebe não chorar”.  No Clube Recreativo, anos de 1955 a 1970, os sucessos eram: A Jardineira “Ó jardineira porque estás tão triste,Mas o que foi que te aconteceu, Foi a camélia que caiu do galho, Deu dois suspiros e depois morreu”, Me Dá um Dinheiro Aí “Ei, você aí!  Me dá um dinheiro aí! Me dá um dinheiro aí!” Nos anos de 1970 no Clube Social (clube novo) os destaques eram: Bandeira Branca, O Primeiro Clarim, Bloco da Solidão, Marcha da Cueca, Ninguém Tasca, Marcha do Kung Fu e as marchinhas eram cantadas por todos, para a alegria dos foliões.  O carnaval em Luz foi abrilhantado por Botinha, Geraldo Tavares e sua turma, muitos blocos fizeram história no Clube Recreativo e Clube Social: Pingo D”água, Pé de Cana, Montilla, Sujos, Andarizé, Caquinho, BHC, PLUS  e foliões animados. Nessa época o carnaval ainda era dominado por marchinhas que até hoje o povo canta. Com o fim dos bailes de salão desapareceram os Arlequins, Pierrôs, Colombinas, confetes e serpentinas deixando muitas saudades nos foliões que cantavam: “Hoje eu não quero sofrer, hoje eu não quero chorar, deixei a tristeza lá fora, mandei a saudade esperar... Quem quiser que sofra em meu lugar”.
 
Època do Ditadura Militar e as Marchinhas
Após o AI-5, quando a censura se instalou de vez (nada contente com a malícia das letras), a marchinha passou a ser objeto de iniciativas isoladas, como as de Caetano Veloso em “Samba, Suor e Cerveja”( Não se perca de mim Não se esqueça de mim, Não desapareça). “Balancê”( Ô balancê, balancê, Quero dançar com você) composição da dupla João de Barro-Alberto Ribeiro, lançada sem sucesso em 1937, tornou-se, em 1980, uma das músicas mais tocadas do ano, na voz de Gal Costa e foi este, o último suspiro da marchinha. Começava a surgir o Axé da Bahia na voz e  rebolado de Luiz Caldas e seus grandes sucessos. Fricote, Tieta, Haja Amor, O Que é Que Essa Nega quer? 
Nos anos de 1985 foi criado a primeira Escola de Samba da cidade que levava o nome “Unidos do Alto” numa referência ao Bairro do Rosário. O carnaval de rua começava a ganhar força em Luz e aos poucos o carnaval de salão deu lugar aos eventos de ruas e praças, comandados por trios elétricos, axé, funk e sertanejo.  Ao encerrar nossa crônica escrevo com saudades: No carnaval do passado houve marchinhas e um local denominado “Clube Social”. Nesse clube  foram vistos pela ultima vez galanteios, Arlequins, Pierrôs e Colombinas. Procure-os apenas nas crônicas e nas histórias... pois não passam de um sonho a ser relembrado. Uma época onde a marchinha o vento levou...
Se você se lembra, paricipou dos carnavais de marchinhas... Tá Ficando Velho!
 
Por: Faustino de Oliveira Filho em 19 de Fevereiro
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